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Queda nos licenciamentos de ônibus novos no Brasil. Será só a crise econômica?

06/12/2017 | Artigo

O mercado de ônibus começa a expressar uma reação diante dos três anos de queda acumulada, no entanto, os números positivos ainda não podem ser considerados suficientes para que o quadro seja revertido em curto prazo.

Segundo balanço da Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, entre janeiro e setembro deste ano foi registrada alta de 11,6% na produção de chassis de ônibus no Brasil em comparação com igual período de 2016. Saíram das montadoras 16.155 chassis nos primeiros nove meses deste ano, contra 14.482 chassis, em 2016. A alta foi puxada pela produção de chassis para ônibus urbanos (12.416 chassis em 2017).

Entre agosto e setembro, as linhas de montagem tiveram uma redução de ritmo, com queda de 23% na atividade. Em agosto, saíram das fábricas 2.192 chassis, dos quais 342 rodoviários e 1.850 urbanos. Em setembro, foram 1.687 plataformas para ônibus, das quais 270 rodoviárias e 1.417 urbanas.

Já o número de licenciamentos registra queda de 7,9% no acumulado do período. Entre janeiro e setembro deste ano foram emplacados 8.562 veículos de transporte coletivo. No mesmo período de 2016, foram licenciados 9.295. Entre agosto e setembro, a queda no total de licenciamentos de ônibus novos foi de 44,5%, passando de 1.558 unidades para 865.

As exportações de ônibus montados no acumulado do ano registraram queda de 3,3%; entre janeiro e setembro deste ano, foram embarcados 2.316 ônibus rodoviários e 4.424 ônibus urbanos.

Como as exportações de ônibus montados estão em queda, embora menor do que no mercado nacional, a diferença entre a alta de produção e a queda de licenciamento pode ser explicada pelo tempo necessário entre a produção do chassi, o encarroçamento e o emplacamento, que pode variar entre dois e seis meses. Tanto é que, após o registro dos primeiros licenciamentos da fase que indica recuperação nas vendas, o ritmo industrial voltou a cair.

Isso acaba revelando alguns sinais: já é possível falar em reação, mas não em recuperação ainda. Além da questão econômica global do País, o setor de transporte coletivo enfrenta algumas especificidades.

Apesar de o Refrota, programa de financiamento de ônibus urbanos novos com recursos do FGTS (que só começou a deslanchar nove meses depois do anúncio) e do Finame, com juros convidativos, os donos de empresas de ônibus ainda se queixam de restrições de acesso a financiamentos.

Também pela crise econômica, mas por fatores como falta de prioridade ao transporte coletivo no espaço urbano e nos investimentos públicos, a queda do número de passageiros, que ocorre de maneira consecutiva há cinco anos, retira a capacidade das empresas de renovar a frota. Sem investimentos em corredores e faixas de ônibus e gestão eficiente dos sistemas, os ônibus continuarão presos nos congestionamentos, lotados e pouco eficientes, o que afugenta passageiros, ainda mais agora com opções como financiamentos de baixo custo e parcelas reduzidas de motos e a oferta de transportes por aplicativos.

Problemas localizados também explicam a capacidade reduzida de as empresas de ônibus investirem: há locais onde o poder público não cumpre os contratos de reajustes tarifários, com congelamentos ou mesmo reduções nos valores; aumento do total de gratuidades sem o custeio equivalente e demora para a conclusão de processos licitatórios estão entre os exemplos. Enquanto não forem solucionados, o setor não poderá avançar.

 

Artigo do jornalista especializado em transportes, Adamo Bazani, publicado na Revista NTU Urbano, edição setembro/outubro de 2017.

Tópicos
Brasil - transporte público - NTU Urbano - mobilidade urbana - investimentos
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